Arrancas-me os ossos pelas unhas, e convences-me de que não dói. Eu acredito. A sério. Acredito, porque me comes desenvergonhadamente a alma sem tirar os olhos de mim, e nada posso fazer se não acreditar.
Não é por esse facto que o frio deixa de conseguir completar a tarefa de penetrar o mais fundo possível no simples ser; obviamente que os pés continuam cá nesta terra, e de cá não irão sair - sinto-os como blocos de cimento aparafusados ao tecto do universo. É sim, contrariadamente pelo facto de me suspirares ao ouvido coisas que eu já ouvira antes, era uma vez, e das quais estive à espera, impaciente, sentada numa daquelas cadeirinhas plásticas e imaculadas durante demasiado tempo.
Tenho o pé dormente. Será meu, sequer?
Palavras cuja cadência eu re-conheceria em qualquer vida, um tom de voz que faz oscilar a penugem do cabelo num vácuo, num vazio, num nada.
Cheiros daqueles que aprendes em criança. Sabes? Aqueles que voltas a sentir passado uma chapada de anos, e te deixam tão atordoado como o próprio tempo a passar - a passar a ferro, a passar a limpo, a passar a negro, a passar apressado. A passar. Por ti. E, bolas, és salgado e doce ao mesmo tempo.
Descalça-me. Quero levantar-me, para que me leves ao colo, por aí.
(Desta vez, deixa-me cair sobre ti. Estou farta da renda ladrilhada do chão. Merda.)
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